Flávio Nunes: o reflexo dos 5 mil profissionais de saúde que perderam a batalha contra a Covid-19

Francisco Flávio Nunes de Andrade, 49 anos. Condutor de ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), em Quixadá, no Sertão Central, Flávio, que já transportou tantas pessoas e, fazendo seu serviço de forma digna, salvou tantas outras, perdeu a batalha contra o Coronavírus, sendo mais um quixadaense a partir em decorrência da doença. O condutor, que trabalhava no SAMU há mais de 8 anos, era querido por todos que conviviam ao seu redor. Faleceu nessa sexta-feira, 9, após período de internação no Hospital Regional do Sertão Central, HRSC, em Quixeramobim, deixando esposa e um casal de filhos. Flávio era irmão do radialista da rádio Meio Norte 96.7, Wagner Nunes. As redes sociais e portais de notícia da região tornaram Flávio, ou “Farda Azul”, como era carinhosamente chamado, o assunto mais comentado. Os profissionais da UPA 24h de Quixadá, para onde Flávio geralmente conduzia a maior parte dos casos, registraram com tristeza a informação de seu óbito. “[Flávio era] um amigo que sempre chegou sorrindo. Por mais difícil que fosse a ocorrência, sempre esteve falando positivamente para vítimas, acompanhantes e colegas de profissão” relata um dos profissionais da instituição. O caso de Flávio torna-se um dentre outros milhares que relatamos com tristeza.

O DESASTRE NA SAÚDE

Desde o começo da pandemia da Covid-19, no ano passado, mais de 5.798 profissionais de saúde perderam a vida, ou seja, 25,9% a mais do que em 2019 e, se comparados ainda apenas os dois primeiros meses de 2021, 29% maior que o mesmo período do ano passado. As informações obtidas através dos dados recolhidos pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), e o levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), feito com os cartórios civis registram o desastre na área da Saúde, diretamente impactada pela pandemia. O número é alarmante, dado que profissionais como Flávio são essenciais e são vidas, que tem histórias, famílias e merecem respeito e cuidado como qualquer outra, principalmente por se disporem a lutar por seus pares na guerra contra o vírus. Uma pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM) indica que 96% dos médicos perceberam o aumento do nível de estresse como o principal impacto da pandemia por 22,9% dos entrevistados. “Toda vez que nós temos um sistema colapsado, aumenta a incidência de infecções. É importante a sociedade demonstrar toda a preocupação pelos profissionais, porque estão dando a vida por nós”, frisou o vice-presidente do CFM, Donizetti Dimer. Os sistemas de saúde continuam na iminência do colapso e não há perspectiva de melhora a curto prazo, já que a vacinação, tanto dos grupos de risco quanto dos prioritários -como a saúde- anda a passos de tartaruga no país.

O Jornal do Ceará se solidariza com a família de Flávio Nunes, compartilha da gratidão pelo excelente profissional que ele foi em vida e deseja forças para que superemos esse doloroso momento.

Vacina sim!

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